Esta semana terminei a leitura do livro escrito pelos Ori Brafman (israelense) e Rod A. Beckstrom (americano), mestres em Administração de Empresas, grandes empreendedores e fundadores de start-ups em empresas de tecnologia que vão desde a redes sem fio até desenvolvimento de software.
O livro é entitulado de: "Quem está no comando? A estratégia da estrela-do-mar e da aranha" ou o título original em inglês: "The Starfish and the Spider: The Unstoppable Power of Leaderless Organizations"
Brafman e Beckstrom chegaram ao resultado deste livro após 5 anos de estudos e pesquisa em administração de empresas e inovaram ao analisar organizações trazendo para o mundo corporativo a comparação com o mundo biológico.
Os autores falam no livro sobre as organizações que usam a estratégia aranha e as organizações que possuem estratégias estrela-do-mar, comparando as organizações centralizadas às aranhas e as organizações descentralizadas às estrelas-do-mar.
Para explicar a teoria das organizações sem líderes, sem chefes, sem gerentes etc, Brafman e Beckstrom fazem a comparação com uma estrela-do-mar, pois esta não possui uma cabeça e sim apenas seus braços, então não há um cérebro que possa ser atingido e de certa forma ser destruído, ao contrário das organizações aranhas, que possuem uma cabeça, um líder, que se abatido ou afastado ou que tome uma decisão errada, possa influenciar diretamente no rumo e no futuro da organização.
Uma aranha quando é arrancada uma de suas pernas, ainda sobrevive, mas com certeza não irá mais realizar suas tarefas com a mesma precisão como se tivesse todas intactas, por outro lado, uma estrela-do-mar, quando perde um braço ou até mesmo quando partida ao meio, esta se regenera e renasce novamente, seus orgãos vitais estão espalhados pelos seus braços e não centralizado em um único local.
Convictos dessa teoria, os autores recorrem além das teorias sobre Administração de Empresas, à Sociologia, Neurociência e Antropologia também. Os autores abordam e comparam organizações que não possuem ligação ou nada em comum: indústrias, terrorismo, a sociedade, a internet e até mesmo o cérebro humano.
Quem está no comando? é a primeira pergunta então que se fazem ao analisarem como essas organizações estão estruturadas e ao longo deste livro tentam provar a teoria que as organizações sem um líder são poderosas e que a desordem e o caos, na medida certa, podem se converter em resultados positivos.
O livro analisa de certa forma, a maneira como certas organizações descentralizadas derrubaram negócios tradicionais com a (entre aspas) "falta de comando" impulsionadas, principalmente, pela internet.
Como exemplo de organizações descentralzadas, os autores citam os Alcoolicos Anônimos, a Toyota, a IBM e até a Al Qaeda, além é claro das empreas da era digital como o Skype e o Napster (primeiro programa de troca de arquivos criado por um estudante americano chamado Shawn Fanning em 1999) que arrasou o mercado do entretenimento musical e que foi responsável pela queda de mais de 50% dos lucros das gravadoras.
Aliás, o mercado do entretenimento vem sofrendo grandes abalos nos últimos anos, com a crescente evolução das bandas de internet e o surgimento de outras dezenas de software que trabalham com a mesma filosofia que o Napster, que possibilitam baixar filmes e músicas a qualquer hora sem recorrer às lojas de CDs ou DVDs (outro assunto que comentei na minha resenha sobre o livro "The Long Tail" - A Cauda Longa em outro POST).
Também gostei do exemplo comparativo analisado pelos autores sobre a Al Qaeda (organização estrela-do-mar) e o FBI (organização aranha), realmente muito didático da parte deles, não acham?
Outro trecho que me chamou a atenção foi quando o autor diz estar em uma reunião com investidores logo no início da internet, pouco antes do estouro da bolha, e um dos investidores o indagou sobre quem seria o presidente da internet, e depois de varias tentativas de explicar que não presidentes, dirigentes ou algum coordenador na internet, teve que acabar assumindo que era o presidente da internet e o negócio então, só assim foi fechado. (Coisa de maluko, rsss).
O livro relata que para se identificar se uma organização é centralizada ou descentralizada, devemos fazer 10 perguntas de maneira correta, dentre elas:
Quem está no comando?
Há sedes?
Se você atingir a cabeça, ela morrerá?
Há uma divisão clara de funções?
Os autores não defendem somente uma tese ou teoria de qual estratégia é certa ou errada, mas mostram também que, de certa forma, existe um ponto de equilíbrio entre as organizações centralizadas e as descentralizadas, as quais chamam de híbridas que acabam propondo regras para sobrevivência em um mundo em constante mudança e transformações.
- Sistema auto-imune: Quando atacadas, tendem a ficar ainda mais descentralizadas
- Desobediência a manuais: Têm uma lógica própria, e é quase impossível compreender sua estrutura
- Independência do líder: Não há inteligência central — a inteligência é espalhada por toda parte
- Ambiente motivador: As contribuições individuais tendem a acontecer espontaneamente
- Alta reprodutibilidade: Como não dependem de um só líder, têm agilidade para crescer muito depressa
- Capacidade de adaptação: Diante de uma crise ou de um ambiente hostil, podem se transformar rapidamente
Para finalizar, vale ressaltar novamente que o Luis Gustavo, meu sócio, quem me emprestou o livro novamente e que me permitiu a leitura e a redação deste meu post sobre o livro. Obrigado Luis, novamente!
Enfim, Ori Brafman e Rod A. Beckstrom contribuiram largamente para uma discussão muito relevante e também sobre a maneira que muitos CEO's passaram a ver suas organizações e empresas.
Espero que, assim como eu, também possam fazer uma boa leitura com este bom livro!
Abraços à todos.
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