Isso sim é um grande presente!

| quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Puxa vida, neste mês de novembro eu apago mais 1 velinha. Lá se vão 35 anos muito bem vividos, repletos de conquistas e feitos, onde em primeiro lugar tenho que agradecer a Deus por tudo que consegui realizar nesse período.

Mas minha maior motivação para escrever este POST, não é o mês de novembro, nem ao menos meus 35 anos muito bem vividos, mas um presente muito especial que ganhei de um grande amigo e irmão, o inestimável Prof. Eurípedes Borges, para mim, simplesmente Oripão, o meu brother, amigo e irmão, o principal responsável por eu estar onde estou hoje, e vocês entenderão o porque digo isso.


Magda e Euripedes (casal nota 10!)

No início de 2009 completar-se-ão 20 anos que sentei na frente do meu primeiro computador, meu primeiro contato com uma máquina que eu já venerava e almejava conhecer desde os meus tenros 6 ou 7 anos de idade, mas nem sabia como funcionava ou até se em minha cidade, uma pequena cidade do interior paulista, eu poderia ter a oportunidade de ver alguma. Conhecia os computadores apenas pelas fotos de jornais da capital, as quais recortava e colava em cadernos para colecionar.

Há exatos 20 anos, quando me ingressei no 1o. ano do colegial, onde também fazia o curso Técnico em Contabilidade, conhecia o prof. Eurípedes, um cara arrojado, inovador, cheio de idéias e novidades.

Numa época em que nem sonhávamos com a Internet, e-mail ou mp3, o prof.Eurípedes era o único professor na cidade que levava suas aulas e apostilas preparadas em um computador, impressas em uma impressora Elgin L80 (80 colunas) e distribuía a seus alunos.

Puxa, fiquei maravilhado, "um cara ali, na minha cidade, meu professor, tinha um computador, e poxa vida, até uma impressora!", era o máximo!

Muito tímido, na época morria de medo de falar com as pessoas pois era muito envergonhado, fransino, cheio de complexos, resolvi pedir uma oportunidade de conhecer o computador do meu professor, isso lá pela 4a. ou 5a. aula.

Enchi o peito de ar, prendi a respiração e lá fui eu: "Pro... pro... professor, será que eu poderia conhecer seu com... com... computador?", pronto, já era, soltei a pergunta e a resposta parecia eterna para chegar. Enquanto esperava uma resposta do cara, ali estava eu me imaginando já tocando num teclado, apertando botões e conduzindo uma máquina.

Pra minha surpresa, e como foi surpresa, o prof. não só me permitiu que conhecesse o seu computador, mas também me fez uma proposta. Me deixava inclusive estudar no seu computador se eu o ajudasse a digitar suas aulas, apostilas e provas para ele. UAHUUUUU, eu ia enfim conhecer um computador, ia enfim digitar aulas, apostilas e tudo o quanto aquele professor me pedisse. ERA A MINHA GLÓRIA!

CP400 Color da Prológica

A empolgação foi gigantesca, me esquecia da hora, me desligava do mundo. Lá naquela sala do único edifício da cidade, no 5o. andar de número 52, eu me dedicava rapidamente em digitar todas as tarefas que o prof. Eurípedes me passava para então, de posse do super manual do CP400 Color, ir estudando, digitando e testando cada linha de código BASIC que estava impresso naquele maual.


Manuais originais que acompanham o CP400

A máquina tinha um BASIC residente, era ligar e pronto, lá estava eu digitando os programas, e mais programas, e cada linha executada, quando via o resultado, me apaixonava mais e mais por esse mundo da programação.

Os programas eram simples, linhas coloridas, textos mostratos na TV de 14 polegadas onde estava instalado, desenhos abstratos entre outros códigos testados, mas eu mastigava aqueles códigos, sonhava com eles.

Achei essa propaganda no Youtube sobre o CP400, muito bacana, assistam e prestem atenção ao que o narrador diz: "Quem tem um, tem futuro!", muito acertado, rsss




Havia também um gravador de fitas cassete, eu aprendia a cada dia, mais e mais, então eu aprendi a gravar meu programas, hehe, e ainda lembro os comandos: CSAVE para gravar meus programas e CLOAD para ler de volta, puxa vida, como isso era lento... rsss


Mal sabia eu, que dali a pouco eu o meu professor estaríamos em poucos meses desenvolvendo programas comerciais e já começando a fazer algum dinheiro com isso.

Dai pra frente foram muitas e muitas experiências, com MSX Hotbit, PC XT, AT e ai foi uma coisa atrás da outra, mas ... isso é história para novos POST's que prometo escrever em breve. Prometo!

Bom, tudo isso que contei acima ai foi para dizer que este mês o prof. Eurípedes, meu grande amigo e irmão Oripão, me presenteou com o então CP400 Color, com manual, fita cassete com aplicativos, cartuchos de jogos e ainda na caixa original. Melhor de tudo, acreditem ou não, funcionando até hoje!

Meu presente, completo!

Foi um super presente, para mim pelo menos, pois o presente tem um valor sentimental grandiosíssimo, e que eu não poderia deixar de expressar minha gratidão.

Então uma forma à altura de agradecer meu grande irmão, foi escrevendo este POST, para lhe agradecer e dizer que sim, realmente, foi o cara que mais contribui com minha formação e ter chegado onde cheguei até hoje!

Obrigado meu brother!

Abraços à todos.

A Cauda Longa - The Long Tail

| terça-feira, 4 de novembro de 2008


Depois de quase 1 mês que iniciei a leitura do livro "A Cauda Longa" - Do mercado de Massa para o mercado de Nicho, escrito pelo Chris Anderson, enfim o terminei. Apesar de ter assumido vários compromissos ao mesmo tempo, estuando Ruby on Rails, ajudando um pouquinho o Carlos Brando na tradução do livro Why's (Poignant) Guide to Ruby, versão em português traduzido para O Guia (Comovente) de Ruby do Why, programando e tocando minha vida no escritório, dividindo o tempo entre minha esposa e meu filho, decidi ler o livro, que aliás preciso dizer que não fui eu quem o comprou e sim o Luis Gustavo, que generosamente me emprestou (diga-se de passagem, o Luis é quem compra a maioria dos livros que leio, rss), obrigado Luis.

O livro é no mínimo fantástico, realmente me surpreendeu, pela facilidade de leitura e pelo conteúdo absolutamente atualizado.

O livro do Chris fala da reviravolta do mercado de nicho (a soma da venda de todos os produtos que não são os best-sellers) sobre o mercado de massa (os produtos que frequentemente ocupam as listas dos 10 mais vendidos e preenchem as prateleiras das lojas).

Chris Anderson é o editor-chefe da revista Wired e escreveu inicialmente um artigo na revista que chefiava, que depois de tomar proporções gigantescas, despertou-o para então escrever um livro sobre o assunto.

O livro relata inicialmente a forma como o mercado de "hits de sucesso" são superados pelos produtos considerados, digamos, não-famosos e inicia falando sobre o mercado de músicas, onde por décadas e décadas as pessoas eram forçadas a comprar as músicas que estavam sempre nas listas de mais vendidos e de maior sucesso, ou ainda os livros que também eram encontrados nessas listas de best-sellers.

Com a evolução da tecnologia, a popularização da Internet, o surgimento do MP3, do nascimento do iPod, e os tocadores de áudio deste e outros formatos, o mercado musical se viu ameaçado e tiveram que rever estratégias, quebrar paradigmas se quisessem sobreviver num mercado que crescia rapidamente e mudava com uma velociadade ainda maior. Ah, não poderia deixar de destacar os filmes também, claro, hoje em dia facilmente "adquiridos" pela internet por meio de downloads e torrents espalhados pelo mundo todo. Sem contar nas legendas on-line e em tempo real, totalmente sincronizadas com o tempo de lançamentos dos filmes e seriados, não é?

A evolução da tecnologia, o surgimento da WEB 2.0, as novas modalidades de marketing e novos negócios possíveis com a WEB passou a permitir um poder maior de decisão e escolhas aos consumidores. Os novos sites de negócios como o MercadoLivre e o eBay, além de muitos outros que levaria horas para citá-los e "linkálos", deram uma nova vida ao mercado de nichos, pois pense bem, atualmente é possível encontrar quase de tudo, senão tudo, que se quer comprar, na web, em sites especializados em comércio eletrônico (e nos não especializados também).

Como exemplo disso, eu mesmo, tive uma experiência recente, pois como saudosista que sou, resolvi comprar um filme muito antigo que assistia ainda quando criança, chamado "A lenda do pássaro azul", filmado em 1947 com Chirley Temple, o filme ainda era exibido em Preto e Branco quando assistia lá pelos meus 7 anos de idade (só para constar, não nasci nesse período não, sou de 1973), mas adorava aquele filme.

Um dia procurando pela WEB, no MercadoLivre, encontrei o filme em DVD, P&B, original, dublado ainda... com capinha e tudo. Resultado: O Comprei, e assisti umas 10 vezes depois disso.

Assim como este pequeno exemplo, o Chris Anderson relata outras dezenas deles, e mostra como realmente há um mercado gigantesco "desconhecido" por muitos e que pode sim ser muito bem aproveitado.

Chris também fala do fenômeno dos "amadores". Explicando em "miúdos", a popularização mais crescente dos cantores, atores e escritores amadores que nascem todos os dias, haja visto o grande exemplo do YOUTUBE, onde, segundo informações da própria Google, em cada 10 minutos são postados novas 10 horas de vídeo por lá. Também não poderia deixar de citar os blogs, que fazem sucesso a cada dia, e os blogs de conteúdo, que são acessados milhares de vezes por dia ainda podem faturar alto com os Add-Sense do Google com propagandas sensitivas ao contexto (sacada genial).


O nome do livro foi tirado da curva de Zipf, do teorema de Pareto, ou ainda pela forma como o gráfico toma uma forma alongada, como no desenho acima.

A Lei de Pareto ou a Lei do 80/20 prega que 80% dos resultados vem de 20% dos esforços, que aliás foi o que despertou o autor a escrever o artigo na revista em 2004. Pela Lei de Pareto, por exemplo, 80% do lucro de uma grande livraria como a Siciliano, deveria vir das vendas dos primeiros 20.000 títulos, mas o que ocorre em uma livraria digital, (onde as plateleiras são os links de downloads), mais de 25% do lucro vem de livros que numa livraria comum nem estariam disponíveis para encomenda, sequer nas prateleiras.

A tal economia de massa que somos submetidos desde a revolução industrial, chamada pelo autor no livro de "economia da escassez" começa a dar lugar à uma nova economia - a "economia da abundância". Na economia de escassez, a produção e a distribuição de produtos custa muito caro, daí então os esforços em produzir e distribuir produtos com forte apelo popular.

Bom, na economia da abundância, esses custos são muito menores e há o espaço para os produtos que não são mega-sucessos terem sua vez na curva, ou seja, os produtos mais afastados da ponta da curva.

E como isso pode? Bem, o Anderson fala de 3 pontos que permitem isto acontecer:

  1. A tecnologia faz com que vários tipos de produtos sejam mais fáceis e mais baratos de se produzir (abundância na produção);
  2. A tecnologia (a Web, no caso) faz com que o consumidor tenha acesso mais fácil a todos os tipos de produto, e não mais apenas aos mega-sucessos;
  3. A facilidade de busca e principalmente as recomendações fazem com que a demanda se espalhe pela cauda da curva, não estando mais limitada à meia dúzia de sucessos estrondosos que antes estavam disponíveis.
Com esse modelo, não só os produtos da era digital como as músicas e filmes são facilmente negociados na economia da abundância, como também produtos físicos, como Discos de Vinil, coleção de revistinhas em quadrinhos, coleções de jogos de ATARI , etc.

Tudo bem que com esse modelo, podemos encontrar de tudo, de coisa boa a coisa ruim, mas isso demostra o retrato real para onde estamos caminhando com nossa economia mundial e já começa a despertar os nossos interesses de como poderemos aproveitar essa transformação para tirar proveito à nós mesmos, como consumidores ou como fornecedores.

Pude resumir bem suscintamente o livro, mas espero que tenha deixado um gostinho de quero-mais a ponto de você se interessar pelo livro e então procurar para ler.

Grande abraço e até meu próximo POST.